Durante muito tempo, eu fui a mãe de duas crianças que estavam constantemente doentes.
Ranho. Tosse. Febre. Otites. Bronquiolites. Noites mal dormidas. Idas sucessivas à urgência. Medicação. Melhoravam durante alguns dias… e pouco tempo depois começava tudo outra vez.
E havia uma frase que eu ouvia vezes sem conta:
“
É normal. As crianças ficam doentes.
Mas, dentro de mim, havia sempre a sensação de que aquela resposta não chegava.
Porque uma coisa é saber que as infeções respiratórias são frequentes na infância. Outra é viver meses seguidos com uma criança que não consegue respirar bem, não dorme, tosse durante a noite e volta a adoecer mal parece estar recuperada.
E, no meio disso, sentir que estamos sempre a tentar perceber sozinhos:
Será que esta tosse é normal?
Será que devo ir à urgência?
Posso fazer alguma coisa para o ajudar?
Estou a fazer a lavagem nasal corretamente?
E se eu estiver a desvalorizar alguma coisa importante?
Eu era enfermeira. E mesmo assim senti medo, frustração e impotência.
Tinha conhecimento na área da saúde, mas não tinha ainda as respostas que precisava enquanto mãe.
E talvez tenha sido isso que mais me marcou: perceber que, se eu, sendo enfermeira, me sentia assim, quantas mães e pais estariam em casa a viver exatamente o mesmo, sem ninguém que lhes explicasse verdadeiramente o que fazer?